Vitor Lippi questiona o delator do esquema de propinas na CPI da Petrobras

11 de Março de 2015, 15:42

Após
elogiar a coragem de Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da Petrobras e um
dos delatores do esquema milionário de desvio de dinheiro, o deputado Vitor
Lippi (PSDB-SP) perguntou se ele não teria “medo de terminar como o ex-prefeito
Celso Daniel” (assassinado em 2002), por conta das revelações na CPI a
Petrobras.  

Em
resposta Barusco se mostrou sincero e disse que tinha medo sim. "Medo eu tenho, né. Todo mundo tem medo. É uma
situação que eu me coloquei e tenho que enfrentar".

Celso
Daniel. Assassinado há doze anos, foi prefeito de Santo André (SP) e as
suspeitas de que tenha sido um crime político ainda persistem. 

Durante
o depoimento, que durou mais de sete horas, Pedro Barusco confirmou a
participação do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, como suposto recebedor de
propina no esquema que pode ter desviado seis vezes mais que o Mensalão.

O
ex-funcionário da Petrobras relatou que se reunia com Vaccari Neto mensalmente e
que o tesoureiro era chamado de “Mocha” nos relatórios sobre propinas “porque
ele estava sempre com uma mochila”.

Para
o deputado Vitor Lippi, o depoimento deixou evidente que o “esquema foi
institucionalizado no governo PT e Vaccari Neto é homem de confiança do
ex-presidente Lula e da presidenta Dilma”.

Em
acordo com o Ministério Público, Pedro Barusco realizou delação premiada e em
seus depoimentos relata que contratos da Petrobras com empreiteiras do país
eram superfaturados e que o excedente era para pagar propina aos partidos da
base governista (PT, PP e PMDB).

Durante o depoimento,
Barusco assumiu o recebimento de 97 milhões de dólares em propinas e disse que
vai devolver todo o dinheiro aos cofres públicos.